LGBT-PT e Reis

Na carta aberta à Presidente Dilma, Julian Rodrigues, Coordenador Nacional do Setorial LGBT – PT, nesta quinta-feira, 26 de maio de 2011, demonstra a incapacidade de reconhecer a “traição” de quem encara o movimento social como “massa de manobra” e estratégia oportunista e cínica de governabilidade.

Cai na real Julian e todos que foram instrumentalizados, talvez cegos ou ingênuos (o que é dificil acreditar). Eita discurso babaca de sensibilização da Dilma. Há muitos interesses nos bastidores em jogo: dívidas com investidores de campanha, mecanismos de encobertar traficos de influencia, alianças espúrias com oligarquias retrógradas e elites financeiras etc etc. O que dizer de uma ministra dos Direitos Humanos quando em campanha no seu Estado recebeu fartos recursos da Taurus, industria de armas. Tenham vergonha na cara voces que se arrogam vanguarda de uma causa em ONGs alimentadas por recursos governamentais.

Um governo cínico que faz acordos com “Deus e o Diabo” ao mesmo tempo para se manter no poder, paga o preço da venda de sua alma. O PT vendeu sua alma, o seu projeto fundante, os sonhos autenticos de militancias autenticas. Desavergonhados são aqueles que ainda se mantem neste partido, cúmplices de uma vergonha que suas lideranças jamais terão.

Reis

Toni Reis, no ápice de sua trajetoria movida à “flashs”, durante a campanha de Dilma, foi seu mais ardoroso defensor. Pateticamente agora vem com uma tentativa agonizante salvar egoisticamente sua propria imagem e seu destaque na história de uma militancia confusa e “estranhamente” democrática. Ele não buscar salvar a cara da Dilma depois de sua inequivoca (e esperada) traição. Numa coerencia oportunista, tudo indica  que ele tenta salvar a si mesmo! Aqui pra mim, nao importa a pessoa deste cidadão, que pode até ter alguns meritos apesar do que rola na boca miúda do gueto. O que interessa aqui é o que ele representa: todos aqueles que (talvez ingenuamente, espero) “ACREDITARAM” nas promessas de uma campanha lulopetista para o Palacio do Planato. O caminho legitimo e descaradamente honesto e gratuito para afirmação dos direitos civis e da conquista da cidadania não passa pelos conchavos de bastidores ou de grupelhos que se arrogam messianicamente salvadores de qualquer coisa, não passa por tentativas de “enfiar pela goela abaixo” por mecanismos institucionais escusos, mas por um prática política arraigada na esfera pública. A luta política pelos direitos civis, políticos e sociais só conquista sua legitimidade por uma solidariedade publica alinhavada no interior de toda a sociedade. As conquistas se constróem paulatinamente e a história nos prova que não ha atalhos para isso. E em geral os atalhos dos conchavos e dos toma-la-da-ca apresentam-se como uma traição à causa para a qual se luta.

Ahhhh esqueci um detalhe fundamental para reconhecer a legitimidade democrática de lutas políticas: a autonomia de suas organizações com relação as benesses (escusas ou abertas) de governos e Estado. Quando tais instituições constituem-se em ONGs atreladas e alimentadas por generosidades governamentais, não se pode falar de autonomia. A legitimidade encontra-se no embate necessário entre Estado/Governo e Sociedade Civil: é esta tensão que marca fundamentalmente o Estado Democrático de Direito. Quando esta tensão se esvazia ou se domestica seja na forma de controle pela coerção ou violencia (das formas ditatoriais manifestas ou veladas), seja pela cooptação populista de lideranças ou ONGs (alimentada com fartos recursos governamentais diretos ou indiretos por desvios), a luta se esvazia no oportunismo, a soberania popular é colocada em risco. E os déficits de legitimidade só podem ser mascarados por discursos eivados de pseudojustificações e inversões ideológicas. Uma militancia que “mama” de governos que a incorporam em suas estratégias de governabilidade não mrecem respeito pois prestam um desserviço à democracia.

O reconhecimento jurídico às uniões estaveis homoafetivas determinado pela Suprema Corte manifesta um movimento muito mais amplo (nacional e internacional) no contexto de uma sociedade democrática, que envolve pesquisas, produção de conhecimento teórico-prático (juridico, sociologico, filosofico, psicoeducacional, etc etc) e de jurisprudências corajosas que permitem ampliar novas concepções trazendo-as à sociedade e à opinião pública (no contexto contraditório dos embates) rompendo racionalmente com todas as formas de preconceito. Este movimento não pode ser reduzido a “mundicos” festivos ou a militancias cooptadas que buscam confetes e serpentinas para sua auto-glorificação.

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Publicado em maio 27, 2011, em Ética, Direito, Política. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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