IGREJA, FÉ E HIPOCRISIA

Em relação a todas as questoes relacionadas a direitos humanos e cidadania que atualmente se colocam na agenda das discussões, a Igreja, em quaisquer de suas denominações variadas, mostra-se reacionária, anacronica e instransigente, agarrando-se, no entanto, a evasivas oportunistas tomando como base suas inversões teológicas para justificar seu distorcido (des) humanismo e suas hipocrisias institucionais.

Sua “ética” orienta-se para uma sujeição tutelada sob a falsa ideia de liberdade humanizadora. Uma ética pautada na distorção da tolerância republicana e democrática, do tipo “nao suporto, mas tolero” que nega ao outro o direito de ser outro na sua plenitude como ser humano e na busca de sua felicidade.

Ao final das contas sustenta a intolerância que esvazia a diversidade e a pluralidade nas formas de vida. Ao arrogar-se hipocritamente como referência e sustentáculo da moral e da ética, impondo-se inclusive por lobbies e maquinações nos bastidores do Congresso, torna-se por isso mesmo uma erva daninha das instituições  democráticas que fundam nossa sociedade.

Tem razão o desconhecido Pierre Bayle – da época das Luzes – ao separar ética da religião, negando a esta – restrita ao mundo privado – como fundamento daquela – relativa à esfera pública. Por concordar com este pensador frances, não se pode  compreender como absoluto o legítimo direito à liberdade religiosa ou de expressão. Estas como todas as demais formas de liberdade civil devem ser relativas aos principios fundamentais do pacto constitucional que as institui e legitima democraticamente no seu exercício.

Para além das falácias dos discursos pseudo-teológicos das autoridades religiosas, a fé apresenta-se como uma experiência humana possível (não necessária) de cada indivíduo, uma adesão pessoal motivada por uma determinada crença pela qual constitu-sei uma comunidade dos que a compartilham na privacidade de suas vidas.

O Estado Democrático e o povo, em sua soberania, enquanto público de cidadãs e cidadãos, na pluralidade de suas formas de vida, não devem se tornar reféns ou submeter-se a qualquer crença ou religião e tampouco aos seus princípios morais privados.

Autor: Asas de Icaro (2010)

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Publicado em maio 23, 2011, em Asas, Ética, , Geral e marcado como , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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